terça-feira, 29 de julho de 2014

Analista alemã confirma: EUA manipulam 'protestos' em todo mundo

Entrevista com Sara Burke, feita pela Folha, traz algumas afirmações bombásticas que o próprio jornal preferiu abafar, dando destaque a trechos mornos. Sara Burke é analista política e trabalha na Fundação Friedrich Ebert em Nova York

A analista política da fundação Friedrich Ebert, ligada à centro-esquerda alemã, com sede em Nova York, é uma das maiores pesquisadores de protestos e manifestações populares do mundo, tendo já escrito diversos livros sobre o assunto.

Burke não tem papas na língua. Separei dois trechos que ilustram o que ela pensa de alguns assuntos mais quentes. Alguém poderia sugerir a FHC que lesse com lupa essa entrevista. Talvez aprendesse a ser menos colonizado.

A analista explica que a razão pela qual o presidente da Ucrânia não assinou os acordos políticos e comerciais com a Europa, em novembro último (o que motivou os protestos), era que eles exigiriam, como contrapartida do governo, uma série de reformas e medidas dolorosas para a população, em troca de empréstimos que o FMI se dispunha a dar.

Engraçado, nunca li isso em nossa imprensa!

Em outra parte da entrevista, Burke é bem direta sobre o patrocínio externo aos protestos: “Isso fica mais complicado – na Ucrânia e na Venezuela, como a Síria – com o fato de as potências externas usarem o confronto local para praticarem suas guerras por procuração.”

Em seguida, a analista lembra uma conversa da Secretária de Estado, Victoria Nuland, com o embaixador americano na Ucrânia, e sugere que isso revela que o governo dos EUA estava tentando “direcionar os protestos para seus próprios objetivos, para aquilo que alguns alegam ser um golpe de Estado contra um presidente eleito e não uma solução democrática.”

Ora, aqui no Brasil, até mesmo setores da ultra-esquerda, como vimos na declaração recente de Luciana Genro, candidata a vice-presidente pelo PSOL, festejaram o golpe na Ucrânia como uma “revolução popular”…

Burke poderia ter acrescentado ainda que o golpe na Ucrânia se deu com financiamento a grupos neonazistas, conforme se pode ver em centenas de fotos e denúncias de dezenas de blogs e sites.

Na imagem, um trecho (já citado) da entrevista:

Artigo de Miguel do Rosário

 

Olá como vai? Eu vou indo e você.......tudo bem...!!!

Você tem como regra de comportamento não falar sobre; política, religião e futebol? Isso se deve ao fato de ter aprendido com a família e escola que tais temas não são de "bom tom"? Pode reconhecer do que se trata.

Na teoria , parece que todos ansiamos por democracia, liberdade, autonomia  e como isso é, ou será possível?

Quando os temas nos quais podemos dizer com clareza nossas posições, valores, credos, são impedidas? Por falarem de nós!


A teoria na prática é outra coisa.


Concordar e praticar essa regra secular, conhecida por tabu, e dependendo pode pode ser totem; quando na idolatria de objetos como brasões, taças,camisas, vestes, coroas, etc; nos coloca no polo oposto da democracia, da liberdade de ser.


Afinal já pensou o que de fato seguir essa pré determinação, faz a você e a todos nós?


Controle social, controle sobre sua autonomia, diante a concordância dessa "máxima social" somos controladas por "alguém" , entregamos nosso poder no lugar de exercermos o que nos é de direito.
Diante a rede social estamos em novo aprendizado , o do compartilhar. A cada vez que falamos , contamos ao outro, é uma oportunidade de nos conhecermos melhor, de ter entendimento sobre nossos pensamentos. Ao dizer ao mundo o que queremos e acreditamos, o mundo nos responde para nos apoiar em sua generosidade.


Portanto ao evitar assuntos de interessede como os mencionados aqui, estamos nos ocultando, omitindo e criando uma cortina de fumaça, entre a nossa essência, e o outro ,criamos confusão, caos que resultam em escolhas equivocadas, dúbias, sem confiança.


Com a intenção de ser cordial, gentil, e "educadas", acabamos por escamotear, criar mais ilusões a nós mesmas . E quanto menos falamos sobre essa essência, menos a praticamos, menos somos capazes de nos conhecer. Os gestos, a fala domesticada a esse nível torna cada vez mais a nossa presença superficial, esvaziada de valores, passível de ser contaminada por idéias equivalentes, sombrias, resultando inclusive na ausência de ética. Uma vez que o dito não tem valor algum, é so efeito , "defeito", social.


Agir com cidadania inclue todas as escolhas que fazemos, nada pode ser "ignorado, omitido, isento".
Afinal qual o motivo de assuntos importantes , que falam de cada um de nós , da qualidade da humanidade praticada, serem mantidos nesse limbo, dos valores medievais? Sendo tabus e totens ?
Os tabus e os totens, não são em si vãos quando ajudam a encontrar harmonia na sociedade que o pratica, caso contrário qualquer que seja a designação é falácia, controle sobre a autonomia de cada um.


Tal escolha e atitudes não é mais cabível no contexto que vivemos.


É nosso desafio iluminar as sombras,reciclar o lixo tóxico colocado por debaixo do tapete.
Se ansiamos por um cotidiano fraterno, seguro, harmonioso, é a nossa responsabilidade criar esse espaço, esse jeito de ser e viver. Deixar de omitir e emitir em voz clara e bom tom, ser única, fazer a diferença.

Estamos no início do apreendizado da democracia, da sustentabilidade, da ética, e somente a atitude franca e corajosa de cada um é que nos garantirá tais conquistas.Sem a coragem de ser quem se é, não há respeito possível, não há compartilhar. Andamos em círculos desodernados e caotícos , e a complexibilidade do hoje fica imcompreensível, chegando a nos imobilizar nas escolhas.
São amarras na evolução, na humanidade e na conquista da felicidade.


Pense nisso e poderemos dialogar, ouvir uma a outra e afinar o conhecimento..... Seu comentário é bem vindo

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Confie no poder do seu voto e jamais confie em pesquisas golpistas


Antonio caleari Malleus holoficarum – o estatuto jurídico-penal da revisão histórica


Trabalho acadêmico sobre o Revisionismo Histórico é aclamado com nota máxima na mais tradicional faculdade do país, figurando entre as melhores monografias de conclusão do curso de Bacharelado em Direito, no ano de 2011. O objeto da pesquisa: a crítica de legitimidade acerca da criminalização da “negação do Holocausto” (em especial o pretendido pelo PL nº 987/07, do ex-Deputado Federal Marcelo Itagiba).

Malleus Holoficarum: O Estatuto Jurídico-Penal da Revisão Histórica na forma do Jus Puniendi versus Animus Revidere

Membro da equipe editorial do portal de mídia alternativa www.inacreditavel.com.br, o acadêmico Antonio Caleari foi avaliado com a nota máxima em sua “Tese de Láurea” (nome atribuído ao trabalho de conclusão de curso desta que é a mais antiga faculdade do Brasil), tendo sido inclusive indicado a compor o seleto grupo que concorreu ao “Prêmio Jovem Jurista” (o qual foi vencido, há pouco, por outros três formandos dessa histórica escola, cuja sede fica no centro de São Paulo).

A tradicionalíssima Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FDUSP), também conhecida como Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, criada por decreto imperial de 11 de agosto de 1822. Por estas “Arcadas” passaram grandes personalidades da história nacional.

Concluído em meados de outubro do ano passado, um ano após intensa pesquisa desde a apresentação do projeto inicial, em 2010, o trabalho pretende agregar-se ao estágio atual de discussão jurídica acerca da análise crítica dos “delitos de opinião” vigentes em uma parcela das democracias europeias. A proposta teve por cerne confrontar os princípios constitucionais que norteiam a política criminal do Estado, com as argumentações antirrevisionistas que intentam consagrar o Malleus Holoficarum (dogma histórico, “Martelo do Holocausto”) também em nosso país (respondendo hoje por tal movimento o Projeto de Lei Federal nº 987/07).

A infame bula inquisitorial Malleus Maleficarum, transfigurada no atual e controverso MALLEUS HOLOFICARUM.

Proposta de abordagem absolutamente inédita e cuja profundidade de análise promoveu o (quase) esgotamento dos tópicos possíveis, é nas múltiplas referências bibliográficas e sólido abalizamento téorico que se constatam o rigor metodológico e alta relevância dos aspectos suscitados. Consubstanciou-se em um título que certamente passa a figurar entre as maiores referências no que concerne à produção intelectual cujo objeto científico é o Revisionismo Histórico (observado, naturalmente neste caso, a partir de uma perspectiva essencialmente jurídica, própria dos conceitos manejados).

O Malleus Holoficarum vem a contribuir, pois, para o preenchimento daquela que, até então, se configurava numa considerável lacuna doutrinária acerca de tão ingente polêmica contemporânea.

Abaixo temos o plano de desenvolvimento da obra, seguindo-se do link para compra, direto da editora, do livro que foi lançado a partir desta pesquisa, cuja divulgação e disseminação das ideias nela contidas é francamente encorajada, com o fim último de que as reflexões propostas sejam submetidas à apreciação de toda a comunidade acadêmica. Trata-se, em suma, da complexa teia de quesitos oriunda da oposição entre: o direito de punir do Estado (jus puniendi) versus a Liberdade de Expressão revisionista (animus revidere).

Capítulo 1: Introdução

Capítulo 2: O Jus Puniendi

2.1 Controle social, Direito e o conceito formal de delito
2.2 Bem jurídico-penal: subsídio teórico ao conceito material de delito
2.3 A passagem à tutela transindividual: causa da propositura de um novo modelo teórico
2.4 Formulação do problema

Capítulo 3: Hipóteses de trabalho no estudo da criminalização da negação do Holocausto

3.1 Compêndio da literatura antirrevisionista
3.2 Natureza jurídica e histórico-legislativa do Projeto de Lei Federal nº 987 de 2007

Capítulo 4: O Animus Revidere

4.1 Pressuposto de metadiscussão: um imprescindível corte metodológico
4.2 A liberdade acadêmica em face da tutela estatal de uma “verdade histórica”
4.3 A Indústria do Holocausto e as memórias coletivas em disputa
4.4 Resistência política contra a “extrema-direta” na forma de um direito penal simbólico
4.5 Antissemitismo: o estratagema racial
4.6 Os paradoxos da causa afirmacionista

Capítulo 5: Revisão Editora e o caso Ellwanger

Capítulo 6: Comentários Finais

Referências

Anexo A – Entrevista do ex-Deputado Federal Marcelo Itagiba sobre o Projeto de Lei nº 987 de 2007

Anexo B – Debates no STF acerca das questões de ordem suscitadas no julgamento do caso Ellwanger (HC 82.424/RS)

Anexo C – Os revisionistas e a desobediência civil

Link para download do livro:






quarta-feira, 23 de julho de 2014

O futuro do Brasil nas mãos do Satanismo

video


Repassando ...

Uma forte revelação sobre o futuro do Brasil.


ATENÇÃO: Devido as ameaças o vídeo terá que ser excluído.


Se você puder, BAIXE esse vídeo e ajude a espalhar esse alerta republicando ele.

Vamos compartilhar,

Que Deus nos proteja.


Download do vídeo: https://mega.co.nz/#!p4kHEbwZ!rOgnNQosVJTxH_PaRSjag9bd_IkrTlTREHbNK6QsSZU

 

Assim se divide o mundo político


sexta-feira, 18 de julho de 2014

"O mundo já é muito complexo e turvo para os que se propõem a compreendê-lo honestamente

Por compreensão honesta designo fundamentalmente a atitude intelectual que tem como princípio examinar quaisquer argumentos sem o preconceito ideológico que costuma obscurecer a construção coletiva do diagnóstico da realidade. 

Todos têm, de modo consciente ou não, posições ideológicas prévias, mas essas devem ser sempre submetidas ao teste da realidade; são pontos de partida, não pontos de chegada. Infelizmente, a atitude intelectual de Rodrigo Constantino — como demonstrou Jean Wyllys (relembre aqui), com a clareza devida, em artigo recente — é desonesta, procedendo por reduções, simplificações grosseiras, maniqueísmos sistemáticos, diversos procedimentos que agem no sentido de obscurecer o trabalho público e coletivo da compreensão da realidade (sem falar no abuso da dimensão imaginária das polêmicas — recorrendo sempre a argumentos ad hominem e ridicularizando pessoas famosas, a fim de produzir uma espécie de sensacionalismo intelectual).

Ao contrário, vou propor aqui uma leitura honesta do que considero, até onde li, seus argumentos principais na defesa da pertinência da expressão “esquerda caviar”, com tudo o que ela carrega de desqualificação. Vou fazê-lo porque julgo que por meio dessa expressão pode-se compreender melhor quais os sentidos e as possibilidades efetivas da esquerda no mundo atual.


O argumento principal de Constantino é o que a expressão sugere de cara: haveria uma contradição entre ser de esquerda e usufruir das benesses propiciadas pelo capitalismo às classes sociais mais altas. Admitida essa contradição, segue-se logicamente que os ricos autodeclarados de esquerda são hipócritas, apenas adotando o semblante de uma retórica socialmente valorizada — e que a sua diferença para os ricos de direita está tão somente em que esses últimos não capitulam a coerção social da hipocrisia.


Comecemos então por nos perguntar: o que é ser de esquerda? Sem dúvida, ser de esquerda significa primordialmente considerar a redução das desigualdades econômicas e sociais um objetivo fundamental. Isso, entretanto, não implica necessariamente adotar uma perspectiva anticapitalista utópica, seja nos moldes da experiência efetiva da esquerda no século XX ou de algum modelo a se inventar. Concordo com T. J. Clark, para quem, em vez disso, é preciso que a esquerda contemporânea faça profundamente a experiência da sua derrota, das catástrofes intoleráveis por ela produzidas, e se esvazie de sua dimensão utópica, engajando-se antes numa política moderada, operando no interior do capitalismo, “por pequenos passos”, “propostas concretas” agindo no sentido de produzir igualdade em diversos âmbitos.


Provavelmente a experiência de esquerda mais bem-sucedida no mundo hoje é a dos países nórdicos, capazes de dirigir o capitalismo por meio de um Estado pequeno, porém eficaz no sentido de promover equilíbrio social, conciliando assim os princípios do mercado e da seguridade social, da individualidade e do coletivo, em suma, da liberdade e da igualdade (como mostrou ampla matéria da revista “The Economist”, recentemente). 



Ser de esquerda não implica portanto um anticapitalismo sistêmico e revolucionário — concordo ainda com T. J. Clark quando escreve que, nas condições atuais, a esquerda moderada é que é revolucionária —, cuja prova pessoal de coerência seria uma espécie de franciscanismo, de resto inútil. Mas sim engajar-se, seja por qual via for, na luta pela promoção da igualdade de direitos (conforme fazem, cada um a seu modo, as pessoas desqualificadas por Constantino como símbolos da “esquerda caviar”: Wagner Moura, Regina Casé e Gregorio Duvivier, entre outros).

É oportuno desconstruir outra suposta contradição. Segundo Constantino, os membros da “esquerda caviar” costumam criticar instituições, notadamente a polícia, mas recorrer a elas quando necessário. Deveria ser escusado lembrar que a crítica é um princípio democrático de aperfeiçoamento, e não um instrumento de negação absoluta.


 Quando pessoas de esquerda criticam a polícia, não estão a defender sua extinção, ingênua ou irresponsavelmente; antes repudiam a sua ação hierarquizante, logo antidemocrática.

O que nos leva a um último aspecto da expressão. Ao negar a possibilidade de cidadãos de classe média e alta serem de esquerda, é nada menos que a mediação social da solidariedade o que se está anulando. Parece ser impossível para Constantino assimilar a ideia de que há pessoas dispostas a defender causas igualitárias mesmo em detrimento de suas vantagens pessoais. Mas, pasme, é precisamente isso o que, como princípio, define a esquerda."

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Faixa de Gaza: Facebook retira páginas com ameaças a jornalista

Um post da jornalista Deborah Cattani, 25 anos, trouxe o conflito do Oriente Médio entre israelenses e palestinos para o Facebook. Deborah, judia moradora de Porto Alegre, que passou um tempo em Israel a 15 minutos da Faixa de Gaza, escreveu que é desumano o que estado israelense está fazendo: “Mais desumano que o holocausto, mais duradouro que o holocausto, mais pertinente que o holocausto, pois hoje em dia todo o mundo pode ver com os próprios olhos e mesmo assim, poucos reagem.”

Ela acrescentou que tem muitos amigos judeus, mas cada vez menos. “Cada vez que um deles posta um heil Israel no Facebook ou qualquer coisa dizendo ‘matem os árabes’, eu tenho um amigo a menos. Se vocês já assistiram o filme A Onda, é exatamente isso que o governo israelense faz com seus jovens. Já tive treinamento militar israelense, sei como funciona toda a lavagem cerebral e até entendo porque funciona, afinal, somos pobres vítimas.”

Este post colocado no ar na sexta-feira, 11, provocou uma série de respostas entre prós e contra o conflito, alguns agressivos, outros carinhosos, com ódio, ou pedindo paz. Até aí, tudo bem, mas hoje Deborah incluiu outro post: “Eu estou recebendo ameaças de toda a comunidade judaica de Porto Alegre, São Paulo e até, pasmem, Buenos Aires. Já estou na lista negra.”

As declarações de Deborah, antes publicadas somente para amigos, acabaram se tornando públicas e difundidas por milhares de pessoas. Nesta segunda-feira, já eram quase 12 mil compartilhamentos. Também os comentários ao post, contra e a favor, se multiplicaram. O problema é que o debate acabou muitas vezes em ofensas mútuas entre os internautas que leram a postagem. Mas o que mais assustou Deborah foram as ameaças, algumas veladas, outras bem diretas.

“Estou assustada, sim. Não nego”, diz ela sobre algumas das mensagens recebidas. “As piores ameaças são as indiretas de pessoas da família, isso machuca”, lamenta. Outras, mais fortes, dizem que ela deveria “ser largada em Gaza para ser estuprada”.

Em uma mensagem privada, ainda mais grave, um usuário do Facebook ameaça: “Sua vagabunda. Não seria surpresa você acabar sofrendo um acidente por aí, pois não vai conseguir saber quem são as pessoas que te esperam em frente a sua casa, as pessoas que andam atrás de você. Cuidado heim. Shalom.”

Um pouco depois, Deborah escreveu o derradeiro post sobre o assunto, por enquanto: “A página que vinha me perseguindo foi excluída do Facebook! Pra vocês verem como pessoas infundadas não conseguem levar o debate adiante e, além de baixarem o nível, não aguentam as consequências de seus atos.

Quero dizer mais uma coisa, e vai ser o meu último post sobre o assunto por um bom tempo, em nenhum momento preguei ódio aos judeus, ou a Israel. Sinto vergonha das atitudes perpetradas por eles e admito isso com dor no coração, pois, por pior que seja a situação, também faço parte desta cultura.

Também sou contra o Hamas, mas isso não faz de mim uma cega e ignorante que vai se deixar levar pelo amor de uma pátria. Patriotismo e religião devem ser separados no quesito Oriente Médio.”

Deborah revelou que a maior ameaça foi da Juventude Judaica Organizada, de São Paulo. “Só que eles tiraram do ar todos os comentários, mas tenho as cópias.” Ela, então, formalizou a denúncia para o Facebook, Twitter e Instagram em relação aos posts mais agressivos.

A página da Juventude Judaica Organizada está fora do ar. Como tudo isso aconteceu segunda-feira,14 de julho, Dia da Liberdade de Pensamento, Deborah citou os artigos XVIII e XIX da Declaração Universal dos Direitos Humanos: – “Todo homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião”; – “Todo homem tem direito à liberdade de opinião e expressão”.

Palavra do Rabino

O professor Guershon Kwasniewski, rabino da Sociedade Israelita Brasileira de Cultura e Beneficência (Sibra/RS), diz que as citadas ameaças da comunidade judaica não existem. “Deborah está aproveitando a repercussão para se promover. As ameaças não estão publicadas em seu Facebook e podem ter ocorrido ‘in box’. Ela deveria publicar e denunciar à polícia.”

Segundo ele, os posts são uma visão dos fatos de uma judia e por isso deu esta repercussão. “Ela demonstra um ressentimento por algum problema que desconhecemos.” Kwasniewski entende que todo o conflito é deplorável. “Lamentamos a violência, mas entendemos que é um direito de Israel defender sua população civil. É preciso lembrar os fatos iniciais deste conflito, conforme ele. “Três estudantes israelenses foram sequestrados e mortos por terroristas do Hamas.

Depois um palestino de 17 anos foi sequestrado e executado em Jerusalém Oriental. A partir disso, o Hamas passou a lançar foguetes contra a população civil de Israel, único estado democrático do Oriente Médio, que tem o direito de defesa.

Enquanto Israel tenta minimizar a morte de civis em Gaza, avisando para a população se proteger dos ataques, o Hamas usa seus civis como escudo e tenta, a qualquer custo, aumentar o número de mortos civis em Israel, atacando de proposito cidades onde moram 4.5 milhões de pessoas.” (Por Sérgio Lagranha)

Cessar-fogo dura seis horas

O gabinete de segurança israelense, presidido pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, aceitou na madrugada desta terça-feira (15) a proposta de cessar-fogo apresentada pelo Egito, disse um porta-voz do governo, uma semana depois de ataques contínuos terem causado mais de 180 mortes. Já o movimento de resistência islâmica Hamas, que controla a Faixa de Gaza, rejeitou a proposta.

“O gabinete decidiu aceitar a iniciativa egípcia para acabar com o cessar-fogo”, disse Ofir Gendelman, porta-voz do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, no Twitter. Só que a trégua durou apenas seis horas. Aviões israelenses retomaram pela manhã o bombardeio na Faixa de Gaza, em consequência da rejeição do cessar-fogo pelo movimento palestino Hamas.

Diversos ataques foram dirigidos contra o território palestino, em particular, a cidade de Khan Yunis e o bairro de Zeitun, no leste da cidade de Gaza. Poucos minutos antes do início dos novos ataques, o porta-voz do Exército, Peter Lerner, disse em sua conta no Twitter que os bombardeios iriam recomeçar. “Após seis horas de disparos cegos de mísseis sobre Israel, as forças de defesa retomaram suas atividades operacionais contra o Hamas.”

O que vai acontecer em Gaza agora?

As infraestruturas estão destruídas e a população se pergunta quem vai consertá-las ROBERT TURNER 16 JUL 2014

Enquanto estou aqui sentado no meu escritório/dormitório na Cidade de Gaza, escutando os ataques aéreos e os disparos de foguetes, discute-se como acabar com a violência. É algo extremamente desejável, sobretudo para a população civil de Gaza, que tem sido a mais castigada pela atual escalada. Mas quando penso nos 17.000 desabrigados refugiados em escolas, com alguns dos quais conversei na terça-feira, me pergunto o que devem estar pensando disso. Porque eles já viveram tudo isso antes.

Para a maioria, esta guerra é o terceiro desalojamento desde 2009; muitos voltaram exatamente para a mesma sala de aula de antes. Se este possível cessar-fogo terminar da mesma forma que os anteriores, será que essas pessoas vão acreditar que se trata de algo mais do que uma breve trégua? Para Gaza, o retorno à “calma” é um retorno ao oitavo ano de bloqueio. É um retorno a mais para os 50% da população que não têm trabalho nem salário. É um retorno ao confinamento em Gaza e à falta de acesso externo aos mercados, aos empregos e à educação; em suma, à falta de acesso ao mundo lá fora. Por exemplo, se uma das avós com quem conversei na terça-feira quisesse ir estudar na Universidade de Birzeit, na Cisjordânia, ela simplesmente não poderia.

O Governo israelense não tem que demonstrar que essa avó representa uma ameaça concreta para a segurança, já que adotou uma proibição generalizada de que os habitantes de Gaza estudem na Cisjordânia, com base em uma indefinida ameaça à segurança.

A imensa maioria da população está proibida de sair dessa faixa de terra de 356 quilômetros quadrados. Se um dos cultivadores de tomate com quem me encontrei na terça-feira encontrar um comprador para seu produto em Paris, Peoria ou Praga, ele pode, sob determinadas condições, embalar os tomates e enviá-los através do único posto de fronteira comercial aberto, de onde seguiriam para o porto de Ashdod ou o aeroporto Ben Gurion (dois dos pontos mais vulneráveis de Israel em relação à segurança).

Mas, infelizmente, não há mercado para os tomates de Gaza em Paris, Peoria ou Praga. Há mercado para os tomates de Gaza em Israel e na Cisjordânia, mas esse agricultor não tem permissão para vender seus tomates por causa dessa mesma indefinida ameaça à segurança.

Os idosos com quem me reuni na terça-feira se perguntam como poderão ter acesso aos postos de saúde após este cessar-fogo. Exceto pelos serviços oferecidos por nós, da Agência da ONU para os Refugiados da Palestina no Oriente Médio (UNRWA, na sigla em inglês), e por alguns centros médicos particulares e de ONGs, o sistema público de saúde está afundando.

As infraestruturas estão destruídas e a população se pergunta quem terá o papel de consertá-las. Se a Autoridade Palestina não tem permissão ou não pode fazer isso, espera-se que a comunidade internacional o faça? Ou será Israel, a potência ocupadora, quem deve assumir essa responsabilidade?

As mães com quem falei na terça-feira se perguntam se seus filhos irão à escola dentro de apenas seis semanas se não puderem ir a uma das 245 escolas da UNRWA. Quem vai consertar o que está destruído nas escolas públicas, quem vai fornecer os livros, quem vai pagar os professores?

Se os colégios públicos não abrirem, espera-se que a UNRWA preencha essa lacuna? Falta-nos capacidade física e recursos humanos e econômicos para aceitar dezenas ou até centenas de milhares de alunos extras nas nossas escolas. A UNRWA e toda a ONU em geral, incluindo o PAM, a UNICEF, o OCHA e o PNUD continuam comprometidos em atender às necessidades humanitárias do povo de Gaza. Uma das áreas nas quais a UNRWA redobrou seus esforços nos últimos anos foi a da construção civil, na qual contamos com uma grande quantidade de projetos.

São principalmente escolas para nosso programa de educação, nas quais ensinamos mais de 230.000 crianças no ano passado, e de casas para aqueles cujos lares foram destruídos nos conflitos anteriores ou destruídos por Israel.

Quando queremos construir algo, temos que enviar uma proposta detalhada do projeto para Israel, com o esboço, a localização e um orçamento completo. Em seguida, os israelenses analisam a proposta, num processo que, em tese, não deveria precisar de mais de dois meses, mas que dura, em média, quase 20 meses.

Não tivemos nenhuma aprovação de projetos entre março de 2013 e maio de 2014, durante o último período de “calma”, apesar de termos quase 100 milhões de dólares em projetos esperando para serem aprovados.

Será que esta próxima época de “calma” será melhor? E, acima de tudo, as pessoas aqui se perguntam quem vai governar Gaza. Ninguém tem a resposta para essa pergunta. Acredito que os habitantes de Gaza diriam que se esse é o tipo de “calma” que as pessoas têm em mente, mesmo que preferível à violência atual, ela não poderá durar. Não vai durar. Robert Turner é diretor de operações da UNRWA em Gaza

Decreto 1376/95 extingue a Comissão Especial de Combate à Corrupção


quarta-feira, 16 de julho de 2014

Globo: os documentos da sonegação!

Com alguns dias de atraso, mas conforme o prometido pela fonte, recebemos as primeiras páginas da íntegra do processo administrativo da Receita Federal contra a Rede Globo.

As páginas vazadas abaixo constituem o “núcleo” de todo o processo. É o relatório-resumo da Receita Federal sobre o processo em questão. O relatório explica didaticamente como foi a “intrincada engenharia desenvolvida pelas empresas do sistema Globo” para “esconder o real intuito da operação, que seria a aquisição, pela TV Globo, dos direito de transmitir a Copa do Mundo de 2002, o que seria tributado pelo imposto de renda”.

Ainda segundo a Receita, houve “em essência, um disfarce para o verdadeiro negócio realizado, que foi a aquisição do direito de transmissão dos jogos da Copa, em vez da compra das quotas da empresa sediada nas Ilhas Virgens Britânicas”.

A engenharia da Globo envolveu 11 empresas, constituídas em diferentes paraísos fiscais. Com exceção da suíça ISMM, empresa responsável por vender licenças de transmissão da Copa para fora da Europa, todas, pertencem, secretamente ou não, ao sistema Globo.

- Empire, Ilhas Virgens Britânicas.
- GEE Eventos, Brasil.
- Globinter, Antilhas Holandesas.
- Globopar, Brasil.
- Globo Overseas Investment B/V, Holanda.
- Globo Radio, Ilhas Cayman.
- ISMM Investments AG, ?.
- Globosat, Brasil
- Porto Esperança, ?.
- Power Company, Uruguai.
- TV Globo.
 

É um relatório duro para a Globo. Os auditores concluem que a empresa “participou, como já se demonstrou, de toda a engenharia praticada com o fito de simular e sonegar”.

Nossa fonte informa que há muitos outros documentos importantes a serem vazados, inclusive com assinaturas dos irmãos Marinho.

Em sua coluna de hoje, Ilimar Franco dá a uma nota que, à luz dessas revelações, criam uma situação irônica, perigosamente irônica, para a Globo.

“Será que é isso mesmo? – Muitos são os que atribuem a derrota do Brasil na Copa à direção dos clubes e das Federações. O craque alemão Schweinsteiger dedicou o título ao presidente do Bayern Munch, Uli Hoeness. O Bayern tem sete jogadores na seleção. E Uli está na cadeia, condenado a três anos e meio de prisão por evasão fiscal de 27,2 milhões de Euros.”

A Receita identificou que a Globo enviou ao exterior, de maio de 2001 a junho de 2002, um total de R$ 549,4 milhões, com o fito de comprar os direitos de transmissão da Copa de 2002, realizada no Japão e na Coréia.

Recentemente, a ONG Tax Justice divulgou que o Brasil é o país que mais sonega impostos no mundo. Anualmente, são quase US$ 300 bilhões sonegados, o que dá mais de R$ 600 bilhões, ou 13,4% do PIB.

Apenas a sonegação nos EUA apresenta um valor absoluto maior, mas como seu PIB está muito acima do brasileiro, a sonegação norte-americana corresponde a somente 2,3% do PIB.

Segundo uma pesquisa da Fiesp, a corrupção faz o Estado brasileiro perder de R$ 50 a 84 bilhões por ano, correspondendo a 1 ou 2% do PIB.

Por conta disso, creio que a sociedade civil, que tem se mobilizado de maneira tão enérgica contra a corrupção, deveria entender que, no Brasil, a pior das corrupções tem sido a sonegação.

Inclusive porque há ligação orgânica entre os dois crimes. As grandes empresas sonegam, e usam o dinheiro para pagar caixa 2 de campanhas eleitorais e subornar políticos e burocratas.

Além disso, não se trata apenas de sonegação. Não estamos falando de um zé ruela assalariado que “esquece” de pagar o imposto de renda, ou exagera o preço do dentista para enganar o Leão.

E não adianta apenas “mostrar o Darf”. É preciso esclarecer à opinião pública se houve crimes contra o sistema financeiro, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Além disso, é preciso quebrar o silêncio criminoso da grande imprensa sempre que o assunto é ela mesmo, sobretudo se o personagem é a sua representante mais poderosa, a Globo.

Em se tratando de uma empresa que nasceu através de grandes empréstimos do Banco do Brasil, e que construiu seu império em cima de uma concessão pública, ela deveria ser a primeira a dar o exemplo da importância do pagamentos dos impostos. Afinal, a Globo, que talvez seja a empresa privada que mais recebe verba pública no país, deveria entender que os tributos servem para lhe sustentar.

Enquanto isso, trabalhadores e classe média vivem sufocados pelo peso dos impostos.

Leiam o documento abaixo e tirem suas próprias conclusões.



segunda-feira, 14 de julho de 2014

Dez razões porque o PSDB não deve voltar

Publicado em 20/06/2014 por Bertone de Oliveira Sousa

O anti-petismo tem alcançado as raias da histeria coletiva nesses últimos meses. Os xingamentos a Dilma na abertura da copa por parte de grupos sociais privilegiados que jamais votaram no PT e o descontentamento com os gastos escorchantes na construção dos estádios para a copa arranhou ainda mais a imagem de Dilma e do PT, apenas alguns meses depois de vários figurões do partido terem sido presos por causa do mensalão. Entre denúncias e ânimos inflamados quem tem se beneficiado de tudo isso sem precisar dizer uma só palavra é Aécio Neves e o PSDB. Diante dos acontecimentos recentes, o PT poderia até perder a eleição em um segundo turno, mas para si mesmo, e não porque seus adversários apresentem qualquer proposta razoável de governabilidade; e não poderiam, porque eles não têm. Por este motivo, vale a pena elencar algumas razões pelas quais o PSDB não deve voltar à presidência:

1. A sigla PSDB quer dizer Partido da Social Democracia Brasileira. Só que de social democrata o partido não possui absolutamente nada. Historicamente, a social democracia está ligada a movimentos políticos de esquerda e embora seus programas tenham sofrido alterações dependendo da época e do lugar, após a Segunda Guerra, passou a identificar-se com projetos de redistribuição de riqueza através de programas sociais e investimentos governamentais em grandes empresas. Com o advento do neoliberalismo na década de 1980 essa doutrina entrou em crise e cedeu lugar à redução do papel do Estado em políticas sociais e à privatização de empresas. Isso beneficiou grandemente os conglomerados internacionais e a retirada do Estado da vida social ampliou os bolsões de pobreza, o desemprego e reduziu o poder aquisitivo dos trabalhadores, especialmente nos países não desenvolvidos. Quanto o PSDB chegou ao poder em 1994, no auge da crença internacional de que as ideologias de esquerda estavam falidas, essa era a cartilha a ser seguida. E foi.

2. Como consequência disso, a desigualdade e a concentração de renda caíram mais no primeiro mandato do governo Lula do que em oito anos de governo FHC. Em 2007, uma pesquisa da FGV mostrou que somente no primeiro governo Lula, a taxa de miséria caiu quase 8,5 por cento, mais do que o dobro do que ocorreu nos dois mandatos de FHC, que ficou em 3,1%[1].

3. O PSDB é o partido do grande empresariado e dos arrochos salariais. As políticas econômicas do governo FHC estabilizaram a economia, mas em detrimento do poder aquisitivo dos trabalhadores. Com FHC, a inflação era de 9,2% ao ano, com Lula e Dilma, é de 5,9%[2]. Não por acaso, em 1996 a Folha noticiou que o governo FHC foi considerado péssimo por 25% da população[3]. Curiosamente, até os mais ricos demonstraram insatisfação com essa política desastrosa do ex-presidente, segundo a mesma matéria.

4. O PSDB é o partido das filas de desempregados. De acordo com o IBGE, o índice de desemprego mais do que dobrou durante os dois mandatos de FHC como presidente: de 4,5 milhões no final de 1994, foi para 11,5 milhões no final de 2000[4]. Quem não se lembra que quase diariamente os jornais noticiavam filas quilométricas de desempregados nas grandes capitais do país apinhando quarteirões, se submetendo a mal-estares resultantes do calor e de muitas horas de espera, além de inúmeras humilhações para conseguir uma vaga de emprego? Já o governo petista bateu recordes de redução do desemprego. Segundo edição de maio da revista Exame, no último mês de abril o desemprego recuou quase cinco por cento e em março o índice de desempregados chegava a 1,1 milhão de pessoas[5].

5. Para quem acredita que a corrupção somente passou a existir nos últimos doze anos no Brasil, vai aí uma informação bombástica: O governo FHC foi marcado por casos de corrupção não menos escandalosos. Um deles foi a extinção da Comissão Especial de Investigação (CEI), logo após assumir o poder em 1995, órgão criado durante o governo Itamar Franco para investigar denúncias de corrupção no governo federal. De acordo com a Carta Maior, “foi a primeira experiência de controle social, externo, da corrupção, em contraposição ao controle corporativo. Era independente e com amplos poderes para ajudar a sanear a administração Pública Federal. Instalada em 4 de fevereiro de 1994, tinha poderes para determinar suspensão de procedimentos ou execução de condutas suspeitas, recomendar investigações, auditorias e sindicâncias e propor ao presidente da República providências, inclusive legislativas, para coibir fatos e ocorrências contrárias ao interesse público[6]“. Além disso, os desvios de verbas na SUDAM e na SUDENE (extintas somente quase no final de seu mandato, em 2001) somaram quase R$ 4 bilhões[7], além da existência de caixa dois para reeleição e denúncias de compra de votos de parlamentares para aprovação da emenda da reeleição.

6. O PSDB é o partido dos apagões e do racionamento de energia. Basta ver o que o governo Alckimin faz agora em São Paulo, sobretaxando consumidores e impondo racionamentos para termos uma ideia do que virá, ou melhor, do que voltará, se Aécio Neves se tornar presidente: em 2001 uma crise energética fez o governo pressionar a sociedade a reduzir em vinte por cento o consumo de energia[8] e apagões passaram a se tornar constantes no país. Já o governo petista contornou esse problema, evitou novos racionamentos e apagões e durante a gestão Dilma foi construída a hidrelétrica de Estreito, no Maranhão, com capacidade para abastecimento de quatro milhões de pessoas[9].

7. O PSDB é o partido do sucateamento das universidades públicas. Durante o governo FHC, o ensino superior privado foi beneficiado em detrimento do público. Além disso, historicamente o acesso à universidade sempre foi prerrogativa das elites brancas, acostumada a ver o pobre na favela, limpando para-brisas de carros em avenidas nas grandes cidades ou em longínquas escolas públicas de baixa qualidade. Contra esse apartheid social, o governo Lula, além de ter ampliado e fortalecido as universidades federais, também criou mecanismos para ampliar o acesso da população de baixa renda, como o Sisu e o sistema de cotas sociais e raciais. E para os que dizem que a informação de que no governo Lula aumentaram as matrículas nas universidades federais é uma farsa, remeto o leitor a esse importante texto do reitor da Universidade Federal da Bahia: educação superior em Lula x FHC.

8. O PSDB é o partido do encolhimento dos direitos trabalhistas. No final de seu segundo mandato, FHC propôs um projeto de alteração da CLT, como a flexibilização de direitos trabalhistas como o 13º salário, licença maternidade, FGTS, entre outros, além de uma reforma sindical e uma proposta de tratamento diferenciado a pequenas empresas[10]. Já o governo petista, além de não ter subtraído direitos aos trabalhadores, ainda os estendeu a categorias historicamente marginalizadas, como as empregadas domésticas, que passam a ser assistidas pela legislação trabalhista.

9. O PSDB é o partido da repressão aos movimentos sociais. Quem não se lembra do massacre de Eldorado de Carajás, no sul do Pará, ocorrido em 1996? Por outro lado, as políticas de reforma agrária de FHC determinavam o não assentamento de famílias que participavam de ocupação de terra[11] e quando concorreu à presidência em 2002, José Serra prometia em seus programas eleitorais que não permitiria invasões de terras durante seu governo. Que métodos ele usaria pra isso é algo que jamais esclareceu. Felizmente, Serra foi derrotado naquele ano. Em doze anos, o governo petista caracterizou-se por um profícuo diálogo com movimentos sociais e pela ampliação de políticas afirmativas a minorias sociais.

10. O PT se manteve esses doze anos no poder porque conseguiu aglutinar interesses diversos, do empresariado e do povo. O PT se mostrou o único partido que se aproxima de uma social-democracia ao ampliar as políticas sociais e a renda média dos trabalhadores para reduzir o abismo social que historicamente caracterizava o fosso intransponível entre nossas elites e as camadas mais pobres da sociedade: Em 2004, Tarso Genro observou o seguinte: “Ao potencializar este programa [o bolsa família], o governo Lula permitiu em quase dois anos, a distribuição média, de R$ 75,00, por família, atingindo cerca de 6 milhões e quinhentos mil lares, enquanto no governo FHC, a soma dos programas incorporados pelo Bolsa Família (Bolsa Escola, Bolsa Alimentação, Cartão Alimentação e Auxílio Gás), distribuiu em seus últimos dois anos a média por família de R$27,00, atendendo a cerca de 5 milhões e setecentos mil lares[12]“. A ampliação das políticas de redistribuição direta de renda como o bolsa família foram importantes tanto para empresários como para consumidores, porque aqueceu a economia, facilitou a abertura de pequenas empresas, ampliando o número de empreendedores e de empregos diretos. Geralmente os que julgam os programas sociais como “esmola” ou “ação eleitoreira” ignoram sua importância e seu alcance: para termos uma ideia, a extrema pobreza, que era de 12% em 2003, caiu para 4,8% em 2008, o que implica melhorias substanciais na qualidade de vida dessa parcela da população[13] e teve impacto importante na redução da mortalidade infantil[14]. Além disso, muitos beneficiados abandonaram voluntariamente a bolsa após melhorarem de vida[15]. O governo tucano focou no empresariado, manteve as políticas sociais num nível modesto e, como já foi observado, não conseguiu reduzir de forma significativa as elevadas taxas de desemprego e extrema pobreza no país.

Conclusão: Em geral, os peessedebistas não gostam de comparações com o governo Lula ou Dilma. O fato é que qualquer comparação evidencia o quanto essas duas últimas gestões foram mais eficientes em termos de política social. Não há dúvida de que agora as pessoas vivem melhor do que há quinze ou vinte anos atrás. Hoje, o PT sofre muitas críticas não pelo que fez, mas pelo que deixou de fazer. Ainda precisamos de uma reforma política, tributária e de melhorias na infraestrutura do país (esse pacote de investimentos tão prometido antes da copa e não cumprido). É a precariedade de nossa infraestrutura, somada aos elevados impostos que pagamos que ainda entravam o crescimento do país. Mas se isso não tem acontecido com o PT, tampouco acontecerá sem ele. O PAC foi lançado pra isso, mas a corrupção dos gestores impede que seja cumprido com êxito. Quanto às melhorias em saúde e educação, vivemos em uma República federativa e os investimentos nessas áreas são de responsabilidade de Estados e municípios, que recebem as verbas para isso. O PT pode ter cometido muitos erros no poder, mas acertou mais do que errou e a popularidade Lula ao deixar o poder em 2010 prova isso. Hoje não temos mais filas de desemprego e reduzimos bastante a miséria. Reeleger o PSDB é correr o risco de um retrocesso.

Notas

[1]http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Economia/Pobreza-cai-mais-com-Lula-do-que-com-FHC-diz-pesquisa/7/13821

[2]http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/165812-governo-segura-tarifas-para-conter-inflacao-diz-ministro.shtml

[3] http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1996/7/04/brasil/13.html

[4] http://www.espacoacademico.com.br/016/16col_borges.htm

[5] http://exame.abril.com.br/economia/noticias/taxa-de-desemprego-no-brasil-cai-a-4-9-em-abril-diz-ibge-2

[6]http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/FHC-foi-mais-omisso-que-Lula-e-extinguiu-comissao-de-investigacao/4/11757

[7]http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u51692.shtml

[8] http://www.brasilescola.com/historiab/apagao.htm

[9] http://www.mp.gov.br/conteudo.asp?p=noticia&ler=8973

[10] http://www.espacoacademico.com.br/016/16col_borges.htm

[11] http://www.alasru.org/wp-content/uploads/2011/09/GT15-Maria-Auxiliadora-Leite-Botelho.pdf

[12]http://www.galizacig.com/actualidade/200412/pt_treze_diferencas_governo_lula_governo_fhc.htm

[13]http://www.jornalimpactoonline.com.br/brasil/bolsa-familia-reduziu-a-48-parcela-em-extrema-pobreza

[14]http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(13)60715-1/fulltext

[15]http://noticias.r7.com/brasil/em-dez-anos-12-dos-beneficiarios-do-bolsa-familia-deixaram-o-programa-apos-renda-melhorar-17102013

MP decide processar Perrellas por uso de dinheiro público no Helicoca.

A família Perrella tem negócios em Minas Gerais que vão da produção de carne e cultivo de sementes de feijão, arroz e milho a negociação no mercado de futebol profissional.

Donos de avião e de helicóptero, mantêm amizades com famosos e são conhecidos pelas festas que oferecem na Fazenda Guará, propriedade cinematográfica no município de Morada de Minas.

A família tem poder e dinheiro, mas, analisada a declaração de bens do senador Zezé Perrella, disponível na Justiça eleitoral, o que se vê é um cidadão de patrimônio relativamente pequeno: R$ 490 mil.

Ele tem cotas de empresas, conta em bancos e um Mereces Benz, seu maior patrimônio declarado, no valor de R$ 180 mil reais. Zezé não declara nem casa para morar.

Mas promotores de Minas Gerais descobriram que o senador mora num imóvel registrado em nome da Limeira Agropecuária e Participações Ltda., empresa que é uma das chaves para entender os segredos das finanças da família Perrella.

A Limeira Agropecuária é também titular do contrato de leasing do helicóptero Robinson 66, apreendido pela Polícia Federal no município de Afonso Cláudio, no Espírito Santo, em novembro do ano passado, com 445 quilos de pasta base de cocaína.

A empresa Limeira, fundada pelo senador Perrella e hoje sob controle acionário de dois filhos, é proprietária da Fazenda Guará, que, além das festas, proporcionou à família um contrato milionário com o governo de Minas Gerais, através de uma empresa de pesquisa agropecuária, a Epamig.

A Epamig deu à Limeira sementes de feijão, arroz, milho e sorgo, com garantia de compra de toda a produção para o Programa Minas Sem Fome, uma versão local do Fome Zero.

Zero era o risco da Limeira nesse contrato. Não houve licitação e, em quatro anos, a empresa recebeu mais de R$ 14 milhões do governo do Estado.

Segundo o Ministério Público, não se sabe quanto da produção foi efetivamente entregue ao Programa Minas Sem Fome. Na única vez em que houve fiscalização, descobriu-se que, numa safra em que se esperavam quase 200 toneladas de grãos, a fazenda entregou efetivamente 27 toneladas.

O caso resultou numa ação por improbidade administrativa movida contra o senador Perrella, o filho Gustavo e os ex-presidentes da Epamig.

Na ação, o Ministério Público afirma: “Suspeita-se que o preço da produção tenha sido superestimado. É desconhecida, ainda, a forma de controle da distribuição dos produtos agrícolas adquiridos e destinados ao programa Minas sem Fome.”

Outra grave irregularidade desse contrato é o fato de que a Limeira não poderia ter contratos com o governo do Estado, por ter, primeiro, o senador Zezé e, depois, Gustavo entre seus acionistas.

A Constituição do Estado de Minais Gerais proíbe contratos entre o governo do Estado e empresas que tenham deputados estaduais entre seus controladores, como é o caso da Limeira.

Em Minas Gerais, o sobrenome Perrella aparece em outros negócios suspeitos com o governo.

Dois dos restaurantes que servem à Cidade Administrativa, vitrine do governo Aécio Neves, foram concedidos sem licitação ao senador Zezé Perrella.

Ao investigar a denúncia, o Ministério Público descobriu que, na área de alimentação, as irregularidades eram bem mais graves.

Alvimar de Oliveira Costa, que sucedeu o irmão Zezé na presidência do Cruzeiro, é um dos proprietários da Stillus Alimentação, a principal fornecedora de refeições para os presídios.

Em dois desses presídios, a empresa cobrava pelo transporte do marmitex, mas a comida era feita na própria cadeia, em cozinhas clandestinas.

O caso resultou em duas ações na Justiça, uma na área civil, em que o Ministério Público pede a devolução de mais de R$ 80 milhões, e outra na esfera criminal, em que Alvimar é um dos denunciados por corrupção e fraude em licitação.

Em Minas Gerais, até os gandulas do Cruzeiro sabem que Alvimar agiu sempre à sombra do irmão. Por conta dessas ações, os bens da família foram bloqueados, em decisões recentes da Justiça, tomadas depois da apreensão do helicóptero com cocaína. Coincidência?

No rastro da apreensão de cocaína em Afonso Cláudio, o Ministério Público confirmou, numa inquérito civil público, que o combustível da aeronave foi pago pela Assembleia Legislativa, através de reembolsos solicitados pelo deputado Gustavo Perrella.

Em um ano, a conta ficou em R$ 15 mil. Seria uma despesa legal, não fosse o fato de que o helicóptero era usado para serviços extraoficiais, como viagem para festas na fazenda e passeios em Vitória e Rio de Janeiro.

“Transportei muitos amigos e artistas”, contou o piloto Rogério Almeida Antunes, num depoimento prestado em Minas Gerais, depois que ele foi solto da prisão no Espírito Santo por tráfico de drogas.

Na conversa com os promotores, ele contou que uma das passageiras mais frequentes é a atriz Deborah Secco, que foi namorada do jogador Roger, ambos amigos do senador Perrella.

O inquérito civil público, em fase final, deve resultar em uma denúncia contra o deputado Gustavo Perrella.

“Ele pode pedir reembolso pelo combustível, desde que o helicóptero seja usado em viagens exclusivamente a serviço do mandato. Está evidente que este não era é o caso”, diz o promotor Eduardo Nepomuceno.

A Assembleia legislativa também pagou por outros voos particulares do senador Zezé Perrella. Quando ele era deputado estadual, entre 2007 e 2011, recebeu mais de R$ 100 mil como reembolso de despesas com combustível de seu avião.

Na prestação de contas de Zezé, o Ministério Público encontrou até uma nota do aeroporto de Salvador, num dia em que a capital baiana realizava o seu Carnaval fora de época.

Zezé Perrella deixou a Assembleia em 2011, depois que se elegeu primeiro suplente na chapa ao Senado encabeçada pelo ex-presidente Itamar Franco.

Itamar estava no PMDB e Perrella, no PDT, mas ambos eram aliados de Aécio Neves. Amigos de Itamar contam que ele tentou resistir à inclusão de Perrella na sua chapa, mas cedeu à vontade de Aécio Neves, também candidato ao Senado e, como ex-governador, o principal chefe político do Estado.

Octogenário ao se eleger, Itamar morreu pouco tempo depois de eleito, abrindo espaço para o suplente Perrella.

O promotor Eduardo Nepomuceno diz que não pedirá apenas o reembolso das despesas de combustível tanto de Gustavo quanto de Perrella, mas a condenação de ambos por improbidade administrativa.

Em Belo Horizonte, eu procurei o gabinete do deputado Gustavo e pedi para falar tanto com ele quanto com o senador. Apresentei a lista de assuntos, incluindo o caso da cocaína encontrada no helicóptero da família.

O assessor de imprensa, Davi Teodoro, me recebeu na recepção e, em pé, disse que o deputado não tinha tempo para dar entrevista.

Deixei o telefone para que ele agendasse uma reunião. Não tive retorno. Insisti no tema do helicóptero e a resposta de Davi: “Esse caso está encerrado. A Polícia Federal inocentou o deputado”.

No dia em que procurei Gustavo, ele tinha participado da convenção do seu partido, o Solidariedade. Quando estourou o caso do helicóptero, o pai de Gustavo, o senador Perrella, chegou a dizer que a família pensava abandonar a política, com frases como “não precisamos disso para viver”.

Passados sete meses da apreensão do helicóptero e com os traficantes soltos e o processo na Justiça Federal do Espírito Santo caminhando para o arquivo, a família decidiu não só permanecer na política como buscar cargos mais elevados

Na convenção do Solidariedade, decidiu-se fechar aliança com o grupo político de Aécio Neves e reservar para Gustavo a legenda de candidato a deputado federal. Ele pretende deixar a Assembleia Legislativa de Minas para ir a Brasília. Por enquanto, sem o helicóptero.

A aeronave continuará no Espírito Santo até que o Tribunal Regional Federal do Rio de Janeiro julgue o pedido de devolução da máquina aos Perrella.

O candidato a governador de Aécio Neves em Minas Gerais é o tucano Pimenta da Veiga, numa coligação de vinte partidos, entre os quais o Solidariedade de Gustavo e o PDT de Zezé.


Reprodução integral: Diário do Centro do Mundo

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Fábio Hideki é detido e alguns policiais mandam colocar um "Charlie"

Fora PSDB Geraldo Alckmin é expulso de Marília SP





Publicado em 30/06/2014
 
O Governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin é expulso, hostilizado, vaiado pelos estudantes, funcionários estaduais, sindicalistas de Marília, que não suporta Marketing Barato na TV com gastos milionários em contrapartida oferece uma péssima Educação, Saúde e Segurança Pública pra população Paulista, ao mesmo tempo, criminaliza movimentos sociais, não abre espaço pra participação popular e oferece péssimos salários e condições de trabalho para o servidor público estadual.

O esquema suspeito de PHC & Disney

Documentos obtidos por ISTOÉ mostram que Paulo Henrique Cardoso, filho do ex-presidente da República FHC, pode ser testa de ferro do grupo americano Disney Pedro Marcondes de Moura

Os passos do grupo americano The Walt Disney Company no Brasil vêm sendo seguidos com atenção pelo Ministério das Comunicações. Foram constatados fortes indícios de que, por meio de uma manobra ilegal, a companhia seria a controladora da Rádio Itapema FM de São Paulo, conhecida popularmente como Rádio Disney. De acordo com as leis nacionais, empresas jornalísticas e emissoras de rádio e televisão não podem ter participação estrangeira no seu capital acima de 30%. Para mascarar a situação irregular da emissora, o grupo americano, um dos maiores conglomerados de mídia e entretenimento do mundo, estaria recorrendo a um personagem de peso como testa de ferro: Paulo Henrique Cardoso, filho do ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso. É ele quem se apresenta para os órgãos públicos como o acionista majoritário da Rádio Holding Participações Ltda., controladora de 71% da Itapema FM de São Paulo. Os outros 29% pertencem a The Walt Disney Company (Brasil) Ltda.

Documentos obtidos por ISTOÉ demonstram, no entanto, que a participação de Paulo Henrique Cardoso no capital da Rádio Disney é apenas simbólica. Na ficha cadastral da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), emitida na quinta-feira 17, quem aparece na posição de sócia majoritária da Rádio Holding e, portanto, da Rádio Disney FM é uma outra empresa: a americana ABC Venture Corp. O endereço da ABC Venture, registrada na Califórnia, é o mesmo de outras empresas do grupo Disney, como a famosa rede de televisão aberta dos Estados Unidos ABC, adquirida na década de 90. As coincidências não param por aí. Segundo o governo do Estado da Califórnia, a executiva responsável legal pela ABC Venture é Marsha L. Reed, cujo nome também aparece no quadro de funcionários de alto escalão disponibilizado no site do grupo Walt Disney. Na realidade, a ABC Venture (controladora da Rádio Holding e da Rádio Disney) é uma subsidiária da Disney Enterprises Inc., braço do conglomerado The Walt Disney Company.

COINCIDÊNCIAS


Até os estúdios da Rádio Disney funcionam no mesmo prédio do grupo
americano. É dali que a rádio transmite entrevistas como estas da Banda Cine

Cruzando as informações obtidas por ISTOÉ, percebe-se que, por meio de suas ramificações, a Walt Disney é dona de mais de 99% da rádio brasileira Itapema FM, sintonizada na capital paulista pela frequência 91,3 MHz. Esse controle é proibido e sujeito a sanções pela legislação nacional. “Se comprovada uma irregularidade desta, a concessão de funcionamento pode ser cancelada”, explica Jacintho Silveira, professor de direito administrativo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Um expediente parecido da Disney foi identificado também por autoridades locais na Argentina. Um parecer do Departamento do Tesouro, de junho de 2010, foi contrário à venda da Difusora y Radio Medios S.A. para a ABC Venture Corp. e Disney Company Argentina. Um dos motivos apresentados pelo procurador Joaquim Pedro da Rocha para recomendar o bloqueio do negócio foi que ambas as empresas eram, no fundo, a mesma coisa. Direta ou indiretamente pertenciam ao grupo americano.

Procurados por ISTOÉ, Paulo Henrique Cardoso, a Rádio Disney e a The Walt Disney Company (Brasil) disseram não haver nenhuma irregularidade na situação da emissora brasileira. Por meio da assessoria de imprensa, a Disney e PHC, como é conhecido o filho do ex-presidente, enviaram uma cópia digitalizada do primeiro contrato social da Rádio Holding e de outro contrato com uma alteração. Os documentos, com protocolo da Jucesp, registram que, até fevereiro de 2010, a Rádio Holding Participações Ltda., controladora da Rádio Disney, tinha como principal cotista Paulo Henrique Cardoso, com participação de 98,6%. “A Rádio Holding Participações Ltda., de propriedade de Paulo Henrique Cardoso, possui 71% da Rádio Itapema e a The Walt Disney Company (Brasil) possui 29% (a compra foi autorizada pela portaria número 100, de 11 de março de 2010 do Ministério das Comunicações)”, informa a nota enviada pelos sócios. “O ato de compra foi autorizado pelo Cade, conforme publicado no “Diário Oficial da União” número 50 de 16 de março de 2010, Seção 1, sob ato de concentração 08012.010278/2009-12”, complementa. Se essa fosse, de fato, a estrutura societária, a rádio estaria dentro das exigências da legislação brasileira. O quadro societário verificado por ISTOÉ na Jucesp, porém, é outro. Segundo o especialista em direito comercial Carlo Frederico Müller, as juntas comerciais apenas registram e averbam documentos enviados para ela. “Os responsáveis pela empresa têm de notificar qualquer alteração contratual a estes órgãos e, em caso de rádios, à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), que regula o setor”, explica.

Outras evidências revelam a forte presença do grupo americano no controle da emissora. Neste ano, a ABC Venture Corp. e Paulo Henrique Cardoso concederam procurações dando amplos e incomuns poderes a dois executivos da The Walt Disney Company Brasil, o americano ­Richard Javier Leon e o mexicano Miguel Angel Vives. Com as procurações, a dupla de executivos da Disney pode, entre outras atribuições, “depositar e sacar fundos, emitir e endossar cheques, solicitar créditos em conta-corrente” da Rádio Holding Participações Ltda. Na opinião da Rádio Disney, isso não configura ingerência e está dentro dos limites estabelecidos pela lei brasileira. A companhia também não vê nenhum problema no fato de que suas instalações estarem no mesmo prédio onde funciona a representação do grupo estrangeiro no País. Pelos registros da Jucesp e do Ministério das Comunicações, entretanto, a Rádio Disney operaria no endereço de sua controladora, a Rádio Holding. “A Rádio Disney funciona no mesmo edifício da The Walt Disney Company Brasil, porém em outro andar, com espaço exclusivo e independente”, diz em nota a emissora. Assim, toda a sintonia da rádio com o grupo The Walt Disney Company – os mesmos executivos, o mesmo endereço e, provavelmente, até os mesmos acionistas – seria não mais que uma agradável coincidência para os sócios de PHC.

Maçons Direita (golpistas)



Link para download do vídeo: https://mega.co.nz/#!gk93xRrI!zRdCzdJkDcGKXjcrAvEOvcNtt6G9KKaaUy-FL313qs4

terça-feira, 24 de junho de 2014

Onde está a aluna marxista?” — a briga entre um professor e uma estudante na UERJ

 

24 jun 2014 por : Diario do Centro do Mundo
O texto abaixo foi publicado no jornal ggn

Maria Clara Bubna, 20 anos, é estudante do 1° período de Direito na UERJ e integra o Coletivo de Mulheres da sua Universidade.

Ela era – até ele pedir exoneração – aluna do Professor Bernardo Santoro, autor de uma postagem de conteúdo debochado e pra lá de machista feita, publicamente, em seu facebook, e repudiado, recentemente, e com toda a razão, pelo Coletivos de Mulheres da UFRJ, outra Universidade na qual Bernardo leciona.

Depois disso, Bubna diz que passou a ser perseguida pelo professor. Ele afirma o contrário, mesmo estando hierarquicamente, acima da aluna, em sua relação dento da Universidade, e atribui a autoria do repúdio à Bubna e seu Coletivo, embora a Nota de Repúdio tenha sido publicada por outro

Coletivo Feminista, de outra Universidade, a UFRJ.
A estudante ficou um tanto surpresa e assustada com o rumo que o assunto tomou e a repercussão que teve, mas resolveu quebrar seu silêncio e contar sua versão da história em seu depoimento intitulado “Sobre o Silêncio ou Manifesto pela Voz”, que reproduzo, na íntegra, logo abaixo.

“Parabéns” sqn, Professor Bernardo Santoro! O Senhor conseguiu ficar famoso como o machistinha mais comentado das redes sociais dos últimos dias! Melhor repensares o conteúdo das piadas que levas à público, uma vez que és pessoa pública e formador de opinião. Recomendo mais cautela.


E parabéns, de verdade, a ti, Maria Clara Bubna, que optou por não ficar calada, apesar de, como tu mesma disseste no teu manifesto, seres “o elo mais fraco desta relação”, por seres aluna, por seres mulher, por seres ainda muito jovem.

Segue o Manifesto de Maria Clara Bubna:


SOBRE O SILÊNCIO OU MANIFESTO PELA VOZ


Por muitos dias, eu optei por permanecer calada. Talvez numa tentativa de parecer madura (como se o silêncio fosse reflexo de maturidade) ou evitando que mais feridas fossem abertas, eu escolhi, nesse último mês, por vivenciar o inferno em que fui colocada com declarações breves e abstratas e conversas pessoais cautelosas. Mas se tem uma coisa que eu descobri nesse mês é que a maior dor que poderiam me causar era o meu silenciamento, o meu apagamento por ser mulher, jovem, “elo fraco” de toda relação de poder. Eu decidi portanto recuperar minha voz. Esse texto é um apelo a não só o meu direito de resposta, mas o meu direito a existir e me manter de pé enquanto mulher.

Eu nunca vi necessidade de esconder meus posicionamentos. Seja sobre o meu feminismo ou minhas preferências políticas, sempre fui muito firme e verdadeira com o que acredito. Mantive sempre a consciência de que minha voz era importante e que, junto com muitas outras vozes, seriamos fortes. Exatamente por isso, nunca vi necessidade de me esconder. Decidi fazer Direito baseada nessa minha ideia de que a união de vozes e forças poderia mudar a quantidade brutal de situações hediondas que o sistema apresenta.

Dentro da Faculdade de Direito da UERJ, acabei encontrando um professor que possui postura claramente liberal. Ele também nunca fez questão de esconder suas preferências políticas, mesmo no exercício de sua função. Apesar de ser meu primeiro ano na faculdade, passei alguns muitos anos no colégio durante os ensinos fundamental e médio e tive professores militares, conservadores, cristãos ferrenhos. Embates aconteciam, mas nunca ninguém se sentiu ofendido ou depreciado pelas suas preferências ideológicas. O debate, quando feito de maneira saudável, pode sim ser enriquecedor.
Para minha surpresa, isso não aconteceu no ambiente universitário.

Ouvindo Bernardo Santoro se referir aos médicos cubanos como “escravos cubanos”, a Marx como “velho barbudo do mal”; explicar o conceito de demanda dizendo que ele era um “exímio ordenhador pois produzia muito leitinho” (sic) e que o “nazismo era um movimento de esquerda”, decidi por me afastar das aulas e tentar acompanhar o conteúdo por livros, gravações, grupos de estudo… Já ciente do meu posicionamento político e percebendo minha ausência, o professor chegou a indagar algumas vezes, durante suas aulas: “onde está a aluna marxista?”

No dia 15 de maio deste ano, Bernardo postou em sua página do Facebook, de maneira pública, um post sobre o feminismo. Usando o argumento de que se tratava de uma “brincadeira”, o docente escarneceu da luta feminista e das mulheres de maneira grosseira e agressiva. A publicação alcançou muitas visualizações, inclusive de grupos e coletivos feministas que a consideraram particularmente grave, em se tratando de um professor, como foi o caso do Coletivo de Mulheres da UFRJ, universidade em que Bernardo também leciona.

A partir do episódio, o Coletivo de Mulheres da UFRJ escreveu uma nota de repúdio à publicação do professor, publicada no dia 27 de maio na página do próprio Coletivo, chegando rapidamente ao seu conhecimento.

Foi o estopim. Fazendo suposições, o professor começou a me acusar pela redação da nota de repúdio e a justificou como fruto de sua “relação conflituosa” comigo, se mostrando incapaz de perceber quão problemático é escarnecer, de maneira pública, de um movimento de luta como o feminismo.


Fui então ameaçada de processo. Primeiro com indiretas por comentários, onde meu nome não era citado. Alguns dias se passaram com uma tensão se formando, tanto no meio virtual quanto nos corredores da minha faculdade. Já se tornava difícil andar sem ser questionada sobre o assunto.

Veio então, dias depois, uma mensagem privada do próprio Bernardo. A mensagem me surpreendeu por não só contar com o aviso sobre o “processo criminal por difamação” que o professor abriria contra mim, mas por um pedido do mesmo para que nos encontrássemos na secretaria da faculdade para que eu me desligasse da minha turma, pois o professor não tinha interesse em continuar dando aula para alguém que processaria.

Nesse ponto, meu emocional já não era dos melhores. Já não conseguia me concentrar nas aulas, chorava com uma certa frequência quando pensava em ir pra faculdade e essa mensagem do professor serviu para me desestabilizar mais ainda. Procurei o Centro Acadêmico da minha faculdade com muitas dúvidas sobre como agir. Foi decidido então levar o assunto até o Conselho Departamental que aconteceria dali alguns dias.

No Conselho, mesmo com os repetidos informes de que não se tratava de um tribunal de exceção, Bernardo agiu como se fosse um julgamento. Preparou uma verdadeira defesa que foi lida de maneira teatral por mais de quarenta minutos. Conversas e posts privados meus foram expostos numa tentativa de deslegitimar minha postura. Publicações minhas sobre a militância feminista e textos sobre minhas preferências políticas foram lidos pelo professor, manipulando o conteúdo e me expondo de maneira covarde e cruel. Dizendo-se perseguido por mim, uma aluna do primeiro período, Bernardo esqueceu-se que dentro do vínculo aluno/professor há uma clara relação de poder onde o aluno é obviamente o elo mais fraco.

Eu, enquanto aluna, mulher, jovem, não possuo instrumentos para perseguir um professor.
O Conselho, por fim, decidiu pela abertura de uma sindicância para apurar a postura antipedagógica de Bernardo. Não aceitando a abertura da sindicância, o professor, durante o próprio Conselho, comunicou que iria se exonerar e deixou a sala.

Foi repetido incansavelmente que a questão para a abertura da sindicância não era ideológica, mas sim sobre a postura dele como docente. Bernardo, ao que parece, não entendeu.

No dia seguinte, saiu uma reportagem no jornal O Globo sobre a questão. O professor declara que eu sempre fui uma “influência negativa para a turma”. Alguns dias depois, a cereja do bolo: seu amigo pessoal, Rodrigo Constantino, publicou, em seu blog na Revista Veja, uma reportagem onde eu era completamente difamada e exposta sem nenhum aviso prévio sobre a citação do meu nome. A reportagem por si só já era deprimente, mas o que ela gerou foi ainda mais violento.

Comecei a receber mensagens ameaçadoras que passavam desde xingamentos como “vadia caluniadora” até ameaças de “estupro corretivo”. Meu e-mail pessoal foi hackeado e meu perfil do facebook suspenso.

A situação atual parece estável, mas só parece. Ontem, no meu novo perfil do facebook, recebi mais uma mensagem de um homem desconhecido dizendo que eu deveria ser estuprada. Não, eu não deveria. Nem eu nem nenhuma outra mulher do planeta deveria ser estuprada, seja lá qual for o contexto. Nada nesse mundo justifica um estupro ou serve de motivação para tal.

Decidi quebrar o silêncio, romper com essa postura conformista e empoderar minha voz. É preciso que as pessoas tenham noção da tensão social que vivemos onde as relações de opressão estão cada vez mais escancaradas e violentas.

Em todo esse desenrolar, eu me vi em muitos momentos me odiando. Me odiando por ser mulher, me odiando por um dia ter dado valor à minha voz. Me vi procurando esconderijos, me arrependendo de ter entrado na faculdade de Direito, de ter acreditado na minha força. Me detestei, senti asco de mim. Mas eu não sou assim. Eu sou mulher. Já nasci sentindo sobre mim o peso da opressão, do machismo, do medo frequente de ser violada e violentada. Eu sou forte, está na minha essência ter força. E é com essa força que eu escrevo esse texto.

Estejamos fortes e unidos. A situação não tende a ficar mais mansa ou fácil. Nós precisamos estar juntos. É essa união que vai criar rede de amor e uma barreira contra essas investidas violentas dos fascistas que nos cercam. Foi essa rede de amor e apoio que me manteve sã durante esse mês e é essa rede que vai nos manter vivos quando o sistema ruir. Porque esse sistema está, definitivamente, fadado ao fracasso.

Abrace e empodere sua voz.
Maria Clara Bubna
Rio de Janeiro, junho de 2014.